Polícia Condenação
Homem é condenado a mais de 46 anos por matar mãe e filho e esconder corpos em geladeiras no Paraná
Justiça reconheceu dois latrocínios, ocultação de cadáveres e fraude processual; réu também usou inteligência artificial para simular a voz de uma das vítimas
21/09/2026 17h21
Por: Admin Fonte: Nosso Dia

A Justiça condenou Douglas Felipe Romanovski a penas que somam mais de 46 anos pelos assassinatos de Fábio José de Souza e da mãe dele, Maria Auxiliadora da Silva de Souza, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.

A sentença foi proferida na sexta-feira (18) pela 2ª Vara Criminal do município.

Douglas foi condenado por dois crimes de latrocínio, dois de ocultação de cadáver e fraude processual majorada.

Pelos latrocínios e pela ocultação dos corpos, recebeu 44 anos, oito meses e seis dias de reclusão.

Já pela fraude processual, a pena foi fixada em um ano, seis meses e dois dias de detenção.

A condenação também inclui 111 dias-multa.

A Justiça determinou regime inicial fechado e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Crimes aconteceram em condomínio

Os crimes ocorreram em junho de 2025, no Condomínio Clube Las Vegas, no bairro Bonfim.

Segundo a sentença, Fábio foi morto por asfixia entre os dias 16 e 17 de junho.

Depois da morte, Douglas teria se apropriado do carro, do celular e de valores pertencentes à vítima, além de assumir a posse de dois apartamentos.

Dias depois, em 24 de junho, Maria Auxiliadora foi ao local tentando descobrir o que havia acontecido com o filho.

Ela também foi morta por asfixia.

R$ 42,6 mil foram transferidos

Após a morte de Maria Auxiliadora, R$ 42,6 mil foram transferidos da conta dela para contas ligadas ao réu e ao filho dele.

Esse conjunto de circunstâncias foi considerado pela Justiça para reconhecer os crimes de latrocínio.

Durante o processo, Douglas admitiu ter provocado as duas mortes, mas negou que tivesse agido com intenção de roubar.

A versão não foi acolhida pela Justiça.

Corpos foram esquartejados

Depois dos homicídios, os corpos das vítimas foram esquartejados e escondidos dentro de geladeiras.

Parte dos restos mortais de Fábio também foi levada para uma área de mata.

A ocultação dos cadáveres fez parte do esforço para dificultar a localização das vítimas e atrasar as investigações.

IA foi usada para simular voz

Outro ponto que chamou atenção no caso foi o uso de inteligência artificial.

Segundo a sentença, Douglas utilizou a tecnologia para simular a voz de Maria Auxiliadora e enviar mensagens aos familiares, criando a impressão de que ela continuava viva.

Ele também teria ativado a localização do celular da vítima em Antonina, no Litoral do Paraná, com o objetivo de desviar o foco das buscas.

Essas condutas levaram à condenação por fraude processual majorada.

Justiça rejeitou versão apresentada pelo réu

Durante o processo, Douglas alegou que teria sofrido abuso por parte de Fábio e utilizou essa versão como justificativa para o primeiro crime.

A Justiça, porém, rejeitou a acusação.

Segundo a sentença, os elementos técnicos e os depoimentos reunidos durante o processo não sustentaram a alegação.

Família fala em resposta judicial

Em nota assinada por Leonardo Mestre Negri, a família das vítimas classificou a decisão como uma resposta judicial firme.

O posicionamento também destacou a importância da preservação da memória e da honra de Fábio e Maria Auxiliadora.

A assistência de acusação informou que ainda deverá analisar a sentença para decidir se apresentará recurso buscando aumentar as penas.

Douglas permanece preso e deverá iniciar o cumprimento da condenação em regime fechado.