A Justiça condenou Douglas Felipe Romanovski a penas que somam mais de 46 anos pelos assassinatos de Fábio José de Souza e da mãe dele, Maria Auxiliadora da Silva de Souza, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.
A sentença foi proferida na sexta-feira (18) pela 2ª Vara Criminal do município.
Douglas foi condenado por dois crimes de latrocínio, dois de ocultação de cadáver e fraude processual majorada.
Pelos latrocínios e pela ocultação dos corpos, recebeu 44 anos, oito meses e seis dias de reclusão.
Já pela fraude processual, a pena foi fixada em um ano, seis meses e dois dias de detenção.
A condenação também inclui 111 dias-multa.
A Justiça determinou regime inicial fechado e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.
Crimes aconteceram em condomínio
Os crimes ocorreram em junho de 2025, no Condomínio Clube Las Vegas, no bairro Bonfim.
Segundo a sentença, Fábio foi morto por asfixia entre os dias 16 e 17 de junho.
Depois da morte, Douglas teria se apropriado do carro, do celular e de valores pertencentes à vítima, além de assumir a posse de dois apartamentos.
Dias depois, em 24 de junho, Maria Auxiliadora foi ao local tentando descobrir o que havia acontecido com o filho.
Ela também foi morta por asfixia.
R$ 42,6 mil foram transferidos
Após a morte de Maria Auxiliadora, R$ 42,6 mil foram transferidos da conta dela para contas ligadas ao réu e ao filho dele.
Esse conjunto de circunstâncias foi considerado pela Justiça para reconhecer os crimes de latrocínio.
Durante o processo, Douglas admitiu ter provocado as duas mortes, mas negou que tivesse agido com intenção de roubar.
A versão não foi acolhida pela Justiça.
Corpos foram esquartejados
Depois dos homicídios, os corpos das vítimas foram esquartejados e escondidos dentro de geladeiras.
Parte dos restos mortais de Fábio também foi levada para uma área de mata.
A ocultação dos cadáveres fez parte do esforço para dificultar a localização das vítimas e atrasar as investigações.
IA foi usada para simular voz
Outro ponto que chamou atenção no caso foi o uso de inteligência artificial.
Segundo a sentença, Douglas utilizou a tecnologia para simular a voz de Maria Auxiliadora e enviar mensagens aos familiares, criando a impressão de que ela continuava viva.
Ele também teria ativado a localização do celular da vítima em Antonina, no Litoral do Paraná, com o objetivo de desviar o foco das buscas.
Essas condutas levaram à condenação por fraude processual majorada.
Justiça rejeitou versão apresentada pelo réu
Durante o processo, Douglas alegou que teria sofrido abuso por parte de Fábio e utilizou essa versão como justificativa para o primeiro crime.
A Justiça, porém, rejeitou a acusação.
Segundo a sentença, os elementos técnicos e os depoimentos reunidos durante o processo não sustentaram a alegação.
Família fala em resposta judicial
Em nota assinada por Leonardo Mestre Negri, a família das vítimas classificou a decisão como uma resposta judicial firme.
O posicionamento também destacou a importância da preservação da memória e da honra de Fábio e Maria Auxiliadora.
A assistência de acusação informou que ainda deverá analisar a sentença para decidir se apresentará recurso buscando aumentar as penas.
Douglas permanece preso e deverá iniciar o cumprimento da condenação em regime fechado.