A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira, 1º de outubro, o debate presidencial que seria realizado poucos dias antes do primeiro turno das Eleições 2026.
A decisão foi anunciada pouco antes do horário previsto para o início do programa, depois de uma sequência de decisões judiciais que alteraram tanto a lista de participantes quanto regras previamente acordadas com as campanhas. Além disso, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) decidiram não participar do encontro.
Segundo a Globo, duas notificações recebidas na reta final interferiram diretamente no regulamento do debate.
Uma delas partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio reservado a candidatos ausentes e também impediu a realização de perguntas direcionadas a quem não estivesse presente. A regra original, segundo a emissora, havia sido assinada pelos partidos participantes.
A outra mudança ocorreu após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate poucas horas antes do início do programa.
A composição do encontro já havia sido alterada dias antes.
Inicialmente, a Globo havia convidado Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Na terça-feira, 29 de setembro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que Romeu Zema (Novo) também fosse incluído no debate.
O Novo argumentou que deveria ser considerada a composição atual de sua bancada na Câmara dos Deputados, e não apenas o número de parlamentares eleitos em 2022. O ministro acolheu o pedido.
Na quarta-feira, 30 de setembro, a campanha de Lula informou à Globo que o presidente não compareceria ao debate.
No mesmo horário em que o programa seria realizado, Lula participou de uma entrevista no Flow Podcast.
A ausência do presidente provocou críticas de adversários, mas a participação em debates eleitorais é facultativa.
O candidato Renan Santos também buscava participar do encontro.
Pedidos anteriores apresentados ao TSE e ao STF haviam sido rejeitados. No entanto, na noite de quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes acolheu uma nova solicitação, desta vez apresentada pelo Solidariedade, e determinou que a Globo incluísse Renan no debate.
A decisão ocorreu poucas horas antes do início previsto do programa e alterou novamente a formação da bancada.
Quase no mesmo período, a ministra Estela Aranha determinou que a Globo não poderia manter no cenário o púlpito de candidatos ausentes nem permitir perguntas direcionadas a eles.
Na avaliação da ministra, esse tipo de regra poderia criar desequilíbrio entre os participantes e pressionar candidatos a comparecer a um evento cuja participação não é obrigatória.
A decisão modificou uma parte do regulamento que já havia sido acertada entre a emissora e as campanhas.
Pouco depois, Flávio Bolsonaro anunciou que também não participaria do debate.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que desistia devido ao que classificou como “censura” imposta ao evento pelo TSE. A declaração representa a posição do candidato sobre a decisão judicial.
Com Lula e Flávio fora do encontro e novas determinações judiciais alterando o formato e a relação de participantes, a Globo decidiu cancelar completamente o debate.
Em nota, a emissora afirmou que as decisões recebidas interferiam diretamente nas regras que haviam sido previamente acordadas com as campanhas.
A Globo destacou, especialmente, a proibição do púlpito vazio e a inclusão de Renan Santos determinada pelo STF.
Candidatos como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury já estavam na emissora quando o cancelamento foi confirmado.
O episódio gerou forte repercussão política e jurídica, com críticas direcionadas tanto às ausências dos candidatos quanto às decisões dos tribunais e à própria escolha da emissora pelo cancelamento.
O cancelamento também marcou uma situação incomum na campanha presidencial de 2026.
Com Lula e Flávio Bolsonaro fora do programa, o primeiro turno terminou sem um debate televisionado reunindo os dois candidatos que apareciam à frente nas pesquisas.
Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, essa é a primeira eleição presidencial desde 2006 em que um dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas não participa de nenhum confronto televisionado no primeiro turno.
A votação do primeiro turno das Eleições 2026 acontece neste domingo, 4 de outubro.