Geral Dólar despenca
Mercado reage ao 1º turno: Bolsa bate recorde e dólar despenca após resultado das eleições
Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos e chegou a superar 209 mil durante o pregão; ativos brasileiros também dispararam no exterior
06/10/2026 16h17
Por: Admin Fonte: The News

O mercado financeiro brasileiro teve uma reação expressiva nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A Bolsa disparou, o dólar recuou fortemente e ativos ligados ao Brasil negociados no exterior também registraram valorização.

O movimento ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois candidatos disputarão o segundo turno da eleição presidencial.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 7,70% e encerrou o pregão aos 206.911 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento.

Durante as negociações, o movimento chegou a ser ainda mais intenso. O índice alcançou a máxima histórica de aproximadamente 209,6 mil pontos, com valorização superior a 9% em determinado momento do dia.

Foi também a primeira vez que o Ibovespa ultrapassou a barreira dos 200 mil pontos.

Dólar despenca e volta à casa dos R$ 5

Enquanto a Bolsa disparava, o mercado de câmbio seguiu na direção contrária.

O dólar registrou queda superior a 4% e terminou a segunda-feira negociado próximo de R$ 5,00, em uma das maiores desvalorizações diárias da moeda norte-americana dos últimos anos.

A queda também representa uma valorização significativa do real diante do dólar.

Os juros futuros recuaram durante o pregão, completando o movimento de reprecificação dos ativos brasileiros depois das urnas.

Ações brasileiras disparam nos Estados Unidos

A reação não ficou restrita ao mercado brasileiro.

Nos Estados Unidos, o EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne algumas das principais empresas brasileiras, avançou mais de 12%.

O desempenho mostrou que a mudança na percepção dos investidores sobre o cenário político brasileiro também teve reflexos entre investidores estrangeiros.

Bancos, empresas ligadas ao consumo e companhias mais sensíveis aos juros estiveram entre os principais destaques positivos do pregão brasileiro.

O que explica a reação do mercado?

A forte valorização dos ativos está relacionada principalmente à interpretação dos investidores sobre o resultado das urnas e as perspectivas para a política econômica a partir de 2027.

Parte do mercado passou a enxergar uma possibilidade maior de alternância de poder após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula.

Entre investidores e instituições financeiras, aumentaram as expectativas sobre uma eventual política econômica com maior atenção ao controle dos gastos públicos, equilíbrio fiscal e trajetória da dívida brasileira.

Outro fator observado pelo mercado foi a nova composição do Congresso Nacional. O fortalecimento de partidos de direita e centro-direita é interpretado por parte dos investidores como um cenário potencialmente mais favorável para a aprovação de reformas econômicas.

Mercado ainda aguarda propostas concretas

Apesar da euforia registrada após o primeiro turno, o cenário permanece cercado de incertezas.

Flávio Bolsonaro ainda terá de apresentar com maior detalhamento as medidas econômicas e fiscais que pretende adotar caso seja eleito presidente.

Analistas ressaltam que a continuidade da valorização dos ativos brasileiros dependerá não apenas do resultado do segundo turno, mas também da credibilidade das propostas para as contas públicas.

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula está marcado para 25 de outubro e, até lá, as sinalizações econômicas dos dois candidatos devem permanecer no centro das atenções do mercado financeiro.