Geral Polêmica
Tombamento de seis igrejas gera protestos de fiéis e provoca suspensão de reunião pública em Ponta Grossa
Centenas de pessoas compareceram ao Cine-Teatro Ópera para acompanhar discussão sobre a proteção de templos religiosos; Diocese contesta as condições propostas e defende autonomia da Igreja
15/10/2026 17h13
Por: Admin Fonte: Gazeta do Paraná

A proposta de tombamento de seis igrejas católicas em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, provocou manifestações de fiéis e levou à suspensão de uma reunião pública que discutiria o futuro dos templos religiosos. O encontro, marcado para a noite de terça-feira (13), no Cine-Teatro Ópera, precisou ser interrompido após a presença de um público superior à capacidade do auditório reservado para a sessão.

A reunião seria conduzida pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac), responsável pela análise dos processos de proteção de imóveis considerados relevantes para a história e a cultura do município.

Centenas de fiéis compareceram ao local para acompanhar o debate. Parte do público conseguiu entrar no auditório e iniciou momentos de oração, enquanto outras pessoas permaneceram do lado de fora, manifestando insatisfação por não conseguirem participar da discussão.

Diante da superlotação e das preocupações relacionadas à segurança, a Polícia Militar foi acionada e a sessão acabou suspensa.

Seis igrejas estão no centro da discussão

Os processos de tombamento envolvem alguns dos principais templos religiosos de Ponta Grossa, reconhecidos por sua importância histórica, arquitetônica e cultural.

Entre as igrejas incluídas na proposta estão:

O objetivo do tombamento é estabelecer mecanismos legais de proteção para preservar as características históricas e arquitetônicas desses imóveis.

Entretanto, a iniciativa tem provocado divergências entre representantes do poder público, lideranças religiosas e integrantes da comunidade católica.

Diocese se posiciona contra as condições do tombamento

O bispo da Diocese de Ponta Grossa, Dom Bruno Elizeu Versari, manifestou oposição aos processos nas condições apresentadas.

Em nota oficial divulgada no dia 10 de outubro, a Diocese afirmou reconhecer a importância da preservação histórica e cultural dos templos, mas ressaltou que a manutenção dessas estruturas já é realizada há décadas pela própria Igreja e pelas comunidades paroquiais.

A instituição argumenta que eventuais medidas de proteção precisam respeitar a liberdade religiosa, a autonomia administrativa e a finalidade dos espaços destinados às celebrações.

A Diocese também incentivou os fiéis a participarem pacificamente do debate, defendendo que qualquer decisão seja construída por meio do diálogo entre as autoridades e as instituições religiosas.

Nova legislação amplia discussão jurídica

A controvérsia também chegou à Câmara Municipal de Ponta Grossa.

Em agosto, os vereadores aprovaram uma proposta que deu origem à Lei Municipal nº 16.036/2026, estabelecendo a necessidade de autorização expressa das instituições religiosas para o tombamento de seus templos.

A legislação foi apresentada como uma forma de preservar a autonomia das organizações religiosas diante de decisões relacionadas ao patrimônio histórico.

Entretanto, como os processos envolvendo as seis igrejas já estavam em andamento antes da nova lei, sua aplicação aos casos existentes permanece em discussão.

Paralelamente, a Câmara aprovou outro projeto que prevê a ampliação do número de integrantes do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, incluindo a participação de um representante da Mitra Diocesana.

O que significa tombar uma igreja?

O tombamento é um instrumento utilizado pelo poder público para proteger imóveis e outros bens que possuem importância histórica, artística, arquitetônica ou cultural.

Na prática, o procedimento não retira a propriedade do imóvel de seus responsáveis nem significa, por si só, o encerramento das atividades religiosas.

Entretanto, pode estabelecer regras específicas para reformas, alterações estruturais e intervenções que possam comprometer as características protegidas.

A legislação federal admite o tombamento mesmo sem a concordância do proprietário, desde que sejam observados os procedimentos legais. Em Ponta Grossa, a nova lei municipal acrescentou um ponto de debate sobre a necessidade de consentimento das instituições religiosas.

Reunião deverá ser remarcada

Após a suspensão da sessão, a Secretaria Municipal de Cultura informou que uma nova data e um local adequado deverão ser definidos para permitir a continuidade das discussões.

O secretário municipal de Cultura, Alberto Portugal, explicou que o adiamento foi necessário para garantir a segurança dos participantes e possibilitar uma participação mais ampla da comunidade.

A expectativa é que o debate seja retomado com a presença de representantes do poder público, das instituições religiosas e da população.

Enquanto isso, a proposta de tombamento das seis igrejas continua gerando discussões em Ponta Grossa, envolvendo a necessidade de preservar o patrimônio histórico e o respeito à autonomia das comunidades religiosas.