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Ministério Público processa Copel por falta de energia em Reserva e pede indenização de R$ 198,8 milhões
Investigação aponta interrupções frequentes, prejuízos a moradores e produtores rurais e comunidades que chegaram a permanecer sete dias sem eletricidade.
17/10/2026 10h27
Por: Admin Fonte: OrtiNews

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da Promotoria de Justiça de Reserva, nos Campos Gerais, ingressou com uma ação civil pública contra a Companhia Paranaense de Energia (Copel) após identificar problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica no município.

A ação, divulgada nesta semana, pede a condenação da concessionária ao pagamento de R$ 198,8 milhões por danos morais coletivos, além de indenizações individuais de, no mínimo, R$ 8 mil para cada consumidor prejudicado pelas interrupções ou oscilações de energia.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou falhas que se repetem há anos, afetando moradores, estabelecimentos comerciais, produtores rurais e serviços essenciais.

Comunidades rurais ficaram até sete dias sem energia

Um dos pontos mais preocupantes apontados pela Promotoria é a situação enfrentada pelos moradores da zona rural de Reserva.

Conforme os relatos reunidos durante o inquérito civil, algumas comunidades chegaram a permanecer até sete dias consecutivos sem fornecimento de energia elétrica.

As interrupções provocaram prejuízos financeiros e comprometeram atividades que dependem diretamente da eletricidade.

Entre os problemas identificados estão a perda de alimentos refrigerados, vacinas e produção de leite, além de dificuldades no abastecimento de água e no funcionamento dos serviços de telecomunicações.

Para os produtores rurais, especialmente aqueles que trabalham com a atividade leiteira, a falta prolongada de energia pode comprometer o armazenamento da produção e resultar em perdas econômicas significativas.

Ministério Público exige medidas urgentes

Diante dos problemas identificados, a Promotoria solicitou à Justiça a adoção de medidas emergenciais para melhorar a qualidade e a continuidade do serviço prestado pela Copel.

Entre os pedidos está a definição de prazos para identificar as causas das interrupções, que deverão variar de uma a quatro horas, dependendo da distância da ocorrência em relação à sede da Prefeitura.

O Ministério Público também quer que a energia seja restabelecida em prazos proporcionais à complexidade dos problemas, com limite máximo de oito horas nos casos mais graves.

Outra exigência é que os consumidores sejam informados sobre a causa provável da interrupção, a região atingida e a previsão de normalização do serviço em até 15 minutos após a identificação do problema.

A concessionária também deverá, caso a Justiça acolha o pedido, disponibilizar informações públicas atualizadas a cada 30 minutos, incluindo o número de consumidores afetados, as equipes mobilizadas e o andamento dos reparos.

Ação prevê reforço de equipes e manutenção preventiva

Além dos prazos de atendimento, o Ministério Público pede que a Copel mantenha uma estrutura permanente para responder às ocorrências em Reserva.

A proposta prevê pelo menos uma equipe em atividade e outras duas de sobreaviso em condições normais.

Em períodos de previsão de tempestades ou eventos climáticos severos, o número mínimo de equipes de sobreaviso deverá aumentar para quatro.

A Promotoria também solicita que a concessionária apresente, em até 60 dias, um programa permanente de manutenção preventiva da rede elétrica.

O planejamento deverá incluir inspeções periódicas, poda e manejo da vegetação próxima à rede, verificação de equipamentos e correção de problemas em locais com histórico de interrupções frequentes.

Multa pode chegar a R$ 25 mil por hora de atraso

Para assegurar o cumprimento das determinações, o Ministério Público solicitou a aplicação de multas em caso de descumprimento injustificado das obrigações que vierem a ser impostas pela Justiça.

Entre as penalidades propostas está uma multa de R$ 25 mil por hora, ou fração de hora, de atraso na identificação das causas das interrupções e no restabelecimento do fornecimento.

Também são solicitadas multas específicas para eventuais falhas na comunicação com os consumidores, na manutenção das equipes e na apresentação dos planos de ação.

Consumidores poderão receber indenização

Além das melhorias operacionais, a ação busca a responsabilização da concessionária pelos prejuízos causados à população.

O Ministério Público requer R$ 198,848 milhões em indenização por danos morais coletivos e o pagamento mínimo de R$ 8 mil por consumidor afetado, a título de danos morais individuais homogêneos.

Os valores ainda não representam uma condenação definitiva. Tanto as indenizações quanto as medidas operacionais solicitadas dependem de análise e decisão da Justiça.

A ação tramita sob o número 0001725-54.2026.8.16.0143.

O que diz a Copel

Em manifestação divulgada à imprensa, a Copel informou que ainda não havia sido formalmente citada na ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Paraná.

O processo deverá seguir para análise judicial, que definirá sobre a concessão das medidas urgentes e os demais pedidos formulados pela Promotoria.