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Polilaminina traz esperança a paranaense tetraplégico após cirurgia inédita

Substância recriada em laboratório está em fase de testes e pode avançar para estudo clínico oficial autorizado pela Anvisa

24/02/2026 às 14h17
Por: Admin Fonte: G1 Paraná
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Polilaminina traz esperança a paranaense tetraplégico após cirurgia inédita

O tratamento experimental com polilaminina reacende a esperança de recuperação para o paranaense William Carboni Kerber, de 27 anos. Natural de Palotina, ele é um dos poucos pacientes autorizados até agora a receber a substância, que ainda está em fase de pesquisa. A aplicação ocorreu no último sábado (21), em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.

William ficou tetraplégico após sofrer fraturas na coluna torácica e lesões na medula espinhal em decorrência de um grave acidente automobilístico, registrado em 2025. Na época, ele atuava como atleta da equipe do Suzano Vôlei, em São Paulo. Desde então, vive sem os movimentos do pescoço para baixo.

A polilaminina é um composto desenvolvido em laboratório a partir da laminina, proteína naturalmente produzida pelo corpo humano, especialmente durante o período embrionário, quando desempenha papel essencial na organização dos tecidos e no crescimento celular. A pesquisa identificou a possibilidade de recriar uma rede dessas proteínas com potencial para estimular a regeneração em casos de lesão medular aguda — aquela que ocorre logo após o trauma.

O procedimento foi conduzido pelos neurocirurgiões Bruno Cortes e João Elias El Sarraf, além do pesquisador médico Artur Luiz, integrantes do grupo liderado pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio. A equipe também realizou recentemente a aplicação da substância em uma paciente de 53 anos, em Londrina.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, William relatou emoção ao participar do tratamento. Ele destacou que a possibilidade, antes distante, agora representa uma nova perspectiva.

A pesquisa é coordenada há mais de três décadas por Tatiana Sampaio na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No ano passado, o grupo divulgou resultados preliminares de um estudo com oito pacientes. Embora o trabalho ainda não tenha passado por revisão de especialistas independentes, os dados apontaram recuperação motora em parte dos participantes, com índice de melhora considerado expressivo.

Apesar do cenário promissor, especialistas ressaltam que o tratamento ainda não é uma garantia de cura. As aplicações realizadas até o momento não integram um ensaio clínico formal, segundo o laboratório responsável pela produção da substância. Isso significa que os pacientes não estão inseridos em um protocolo estruturado de acompanhamento científico.

Diante da repercussão dos primeiros resultados, familiares de pessoas com lesão medular recorreram à Justiça para tentar acesso ao composto.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de um estudo clínico oficial para o próximo mês. Caso as três fases de testes sejam concluídas com êxito, a expectativa é que a polilaminina possa estar disponível para uso amplo em até cinco anos.

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