O cenário no Oriente Médio voltou a se agravar com a intensificação dos confrontos entre os Estados Unidos, Israel e o Irã. Declarações de líderes políticos e novas ofensivas militares indicam que o conflito, iniciado no último fim de semana, pode se prolongar e gerar consequências globais, especialmente no setor energético e nos mercados internacionais.
Nesta terça-feira (3), ataques importantes foram registrados em diferentes pontos da região. Um bombardeio realizado pelo Exército de Israel atingiu o prédio da Assembleia dos Peritos do Irã, instituição responsável por escolher o líder supremo do país. Segundo a imprensa israelense, os 88 aiatolás que compõem o colegiado estariam reunidos no momento do ataque, porém ainda não há confirmação sobre possíveis vítimas.
Em resposta, autoridades iranianas afirmaram ter realizado um ataque contra o consulado dos Estados Unidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O governo americano confirmou que houve um incêndio nas proximidades do prédio diplomático, mas não confirmou se a instalação foi diretamente atingida.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o objetivo é evitar um conflito prolongado. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que a guerra pode durar algumas semanas e afirmou que o país está preparado para manter as operações militares pelo tempo necessário.
O confronto teve início após ataques realizados por forças americanas e israelenses em Teerã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de outras autoridades de alto escalão. Desde então, o Irã tem respondido com ofensivas contra alvos ligados a Israel e a bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
Dados divulgados pelo Crescente Vermelho indicam que pelo menos 787 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra. Também foi confirmada a morte de seis soldados dos Estados Unidos durante os confrontos.
O presidente Donald Trump afirmou que considera tardia qualquer tentativa de negociação com Teerã, alegando que a estrutura militar iraniana teria sido severamente enfraquecida após os primeiros dias de ataques.
Além dos bombardeios, a crise se estende ao campo econômico. O Irã ameaçou atingir centros financeiros da região e bloquear o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa por essa passagem, que conecta países produtores do Golfo ao Oceano Índico.
O governo iraniano anunciou que poderá impedir a passagem de embarcações na região e alertou que a continuidade dos ataques poderá provocar retaliações contra polos econômicos do Oriente Médio. Autoridades militares iranianas também afirmaram que o país ainda não utilizou seus armamentos mais avançados no conflito.
Em resposta às ameaças, o governo norte-americano declarou que a Marinha dos Estados Unidos poderá escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz para garantir o fluxo internacional de energia.
A escalada da tensão também provocou reflexos imediatos nos mercados financeiros. No Brasil, o dólar encerrou o dia em alta de 1,91%, cotado a R$ 5,26, enquanto o Ibovespa registrou queda de 3,46%, acompanhando o movimento de instabilidade observado em bolsas de valores ao redor do mundo.
Especialistas avaliam que, caso o conflito se prolongue ou o Estreito de Ormuz seja bloqueado, o preço do petróleo poderá disparar no mercado internacional, aumentando ainda mais a pressão econômica global.

