
O calor extremo e a seca prolongada estão provocando um problema silencioso, mas cada vez mais preocupante no Reino Unido: o afundamento gradual de imóveis causado pelo encolhimento do solo.
O fenômeno, conhecido como subsidência, ocorre principalmente em áreas de solo argiloso, muito comuns em Londres e no sudeste da Inglaterra.
Quando o solo perde umidade durante períodos prolongados de calor, a argila se contrai. Essa retração pode acontecer de forma desigual sob as fundações dos imóveis, provocando rachaduras, deslocamentos estruturais e, em casos mais severos, o rebaixamento parcial das construções.
O problema ganhou força após dois verões consecutivos de seca e sucessivas ondas de calor.
Solo seco passa a ameaçar prédios
Boa parte de Londres foi construída sobre terrenos com alto teor de argila.
Esse tipo de solo é particularmente sensível à variação de umidade. Em períodos chuvosos, ele pode expandir. Já em situações de seca prolongada, perde volume e encolhe.
Quando essa movimentação ocorre de maneira desigual, as fundações podem sofrer deslocamentos.
Na prática, isso significa que casas e edifícios podem apresentar trincas, portas e janelas desalinhadas, danos em tubulações e, em situações mais graves, necessidade de obras para reforçar a estrutura.
Seguro já sente o impacto
A subsidência passou a ocupar uma posição de destaque entre os riscos climáticos analisados por seguradoras britânicas.
No ano passado, as indenizações relacionadas ao fenômeno alcançaram cerca de US$ 415 milhões, valor aproximadamente 10% superior ao registrado em 2024.
Somente no segundo trimestre de 2026, as seguradoras já haviam desembolsado mais de US$ 97 milhões em pagamentos relacionados a danos causados pela movimentação do solo.
O cenário também começa a pressionar o preço dos seguros residenciais, especialmente em regiões consideradas mais vulneráveis.
2026 pode ser um dos piores anos
Especialistas avaliam que 2026 pode se tornar um dos anos mais severos já registrados para ocorrências de subsidência no Reino Unido.
A preocupação está relacionada à combinação de seca persistente, temperaturas elevadas e múltiplas ondas de calor.
Com o solo cada vez mais seco, imóveis que nunca haviam apresentado problemas estruturais podem começar a demonstrar sinais de movimentação.
O fenômeno também afeta redes subterrâneas, especialmente tubulações de água, que podem sofrer rupturas com o deslocamento do terreno.
Milhões de imóveis podem estar em risco
As projeções de longo prazo ampliam ainda mais a preocupação.
Estima-se que cerca de 1,8 milhão de imóveis no Reino Unido, aproximadamente 5% do total, possam apresentar alta probabilidade de sofrer algum grau de subsidência até 2070.
Em um cenário de aquecimento mais intenso, esse número pode chegar a aproximadamente 4,2 milhões de propriedades.
Isso representaria cerca de 11% de todos os imóveis do país.
Mudanças climáticas elevam custo do problema
O avanço da subsidência mostra como os efeitos do calor extremo podem ultrapassar questões relacionadas apenas à temperatura ou à saúde.
No Reino Unido, a seca começa a afetar diretamente patrimônio, infraestrutura e o mercado imobiliário.
Além das indenizações, proprietários podem enfrentar despesas elevadas com reforço de fundações, recuperação de paredes, reparos em encanamentos e estabilização do terreno.
Imóveis localizados em áreas de maior risco também podem sofrer desvalorização ou enfrentar custos maiores para conseguir cobertura de seguro.
Com a tendência de verões mais quentes e secos, o fenômeno deve permanecer no radar das autoridades britânicas e do setor de seguros nos próximos anos.
O problema evidencia uma consequência menos visível das mudanças no clima: não é apenas o calor que aumenta. Em algumas regiões, até o próprio chão onde as cidades foram construídas começa a mudar.
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