
Uma das maiores perdas recentes da piscicultura regional foi registrada entre terça-feira (29) e quarta-feira (30), na região de Ubaúna, em São João do Ivaí.
A empresa Mais Fish perdeu aproximadamente 300 mil a 400 mil peixes depois de permanecer cerca de 23 horas sem fornecimento regular de energia elétrica, situação que comprometeu o funcionamento dos equipamentos responsáveis pela oxigenação dos tanques.
Segundo o proprietário, Edilson Pini, a perda atingiu praticamente toda uma produção que vinha sendo preparada havia cerca de seis meses.
Os peixes maiores, que já estavam próximos do período de abate e seriam destinados à agroindústria da empresa, foram os mais afetados.
A Mais Fish atua há mais de 30 anos na região, emprega entre 50 e 60 pessoas e atende clientes em aproximadamente 100 municípios do Paraná.
Apesar da utilização de geradores e de outras medidas emergenciais, a empresa não conseguiu manter as condições necessárias para evitar a mortandade.
Segundo Edilson, praticamente toda a população de um dos tanques com peixes menores conseguiu ser preservada, mas os esforços não foram suficientes para salvar a produção dos demais tanques.
O valor total do prejuízo ainda está sendo levantado.
Questionado sobre a possibilidade de as perdas ultrapassarem R$ 5 milhões, o empresário explicou que o impacto não se limita apenas ao valor dos peixes mortos.
A produção que foi perdida seria utilizada para abastecer a agroindústria durante os próximos meses e atender os clientes da empresa. Dessa forma, o prejuízo também deverá atingir o faturamento previsto para o período.
Com a perda da matéria-prima, a empresa agora terá de reorganizar parte de sua produção e começar praticamente do zero em alguns tanques.
Após a mortandade, funcionários iniciaram uma operação para retirar os peixes, garantir a destinação adequada dos animais e evitar impactos ambientais.
A próxima etapa será a limpeza completa e o tratamento dos tanques para que uma nova produção possa ser iniciada.
Segundo Edilson, a prioridade é realizar todo o processo de forma correta para impedir contaminação ou poluição e, posteriormente, reconstruir a produção perdida.
O empresário também chamou atenção para as oscilações no fornecimento de energia registradas na região.
A propriedade possui aproximadamente 150 aeradores, fundamentais para manter os níveis de oxigênio necessários à sobrevivência dos peixes. Conforme o proprietário, quedas e retornos simultâneos de energia podem afetar painéis, circuitos e outros equipamentos utilizados na operação.
A empresa informou ainda que está reunindo documentos e demais provas relacionadas ao episódio. Advogados deverão avaliar quais medidas poderão ser adotadas diante das perdas registradas.
Em manifestação sobre o caso, a Copel informou que um evento climático severo atingiu a área rural de São João do Ivaí na tarde de terça-feira (29), provocando diversos danos à rede elétrica.
Segundo a companhia, foram registrados principalmente rompimentos de cabos em regiões de difícil acesso, o que aumentou a complexidade dos trabalhos de manutenção.
Ao todo, 23 equipes foram mobilizadas para atender 385 ocorrências emergenciais relacionadas ao temporal em toda a área atendida pela Base de Serviços de Ivaiporã.
Equipes do programa Copel Agro também participaram dos trabalhos.
Especificamente na ocorrência envolvendo a Mais Fish, a companhia informou que cinco equipes, entre técnicos de obras e eletricistas, atuaram diretamente na reconstrução de trechos da rede.
O fornecimento de energia foi restabelecido na manhã de quarta-feira (30), após a conclusão dos reparos.
Enquanto calcula os prejuízos e avalia as providências que serão adotadas, a Mais Fish concentra os trabalhos na limpeza dos tanques e no planejamento para reconstruir uma produção de seis meses perdida em menos de um dia.
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