
O mercado financeiro brasileiro teve uma reação expressiva nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A Bolsa disparou, o dólar recuou fortemente e ativos ligados ao Brasil negociados no exterior também registraram valorização.
O movimento ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois candidatos disputarão o segundo turno da eleição presidencial.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 7,70% e encerrou o pregão aos 206.911 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento.
Durante as negociações, o movimento chegou a ser ainda mais intenso. O índice alcançou a máxima histórica de aproximadamente 209,6 mil pontos, com valorização superior a 9% em determinado momento do dia.
Foi também a primeira vez que o Ibovespa ultrapassou a barreira dos 200 mil pontos.
Dólar despenca e volta à casa dos R$ 5
Enquanto a Bolsa disparava, o mercado de câmbio seguiu na direção contrária.
O dólar registrou queda superior a 4% e terminou a segunda-feira negociado próximo de R$ 5,00, em uma das maiores desvalorizações diárias da moeda norte-americana dos últimos anos.
A queda também representa uma valorização significativa do real diante do dólar.
Os juros futuros recuaram durante o pregão, completando o movimento de reprecificação dos ativos brasileiros depois das urnas.
Ações brasileiras disparam nos Estados Unidos
A reação não ficou restrita ao mercado brasileiro.
Nos Estados Unidos, o EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne algumas das principais empresas brasileiras, avançou mais de 12%.
O desempenho mostrou que a mudança na percepção dos investidores sobre o cenário político brasileiro também teve reflexos entre investidores estrangeiros.
Bancos, empresas ligadas ao consumo e companhias mais sensíveis aos juros estiveram entre os principais destaques positivos do pregão brasileiro.
O que explica a reação do mercado?
A forte valorização dos ativos está relacionada principalmente à interpretação dos investidores sobre o resultado das urnas e as perspectivas para a política econômica a partir de 2027.
Parte do mercado passou a enxergar uma possibilidade maior de alternância de poder após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula.
Entre investidores e instituições financeiras, aumentaram as expectativas sobre uma eventual política econômica com maior atenção ao controle dos gastos públicos, equilíbrio fiscal e trajetória da dívida brasileira.
Outro fator observado pelo mercado foi a nova composição do Congresso Nacional. O fortalecimento de partidos de direita e centro-direita é interpretado por parte dos investidores como um cenário potencialmente mais favorável para a aprovação de reformas econômicas.
Mercado ainda aguarda propostas concretas
Apesar da euforia registrada após o primeiro turno, o cenário permanece cercado de incertezas.
Flávio Bolsonaro ainda terá de apresentar com maior detalhamento as medidas econômicas e fiscais que pretende adotar caso seja eleito presidente.
Analistas ressaltam que a continuidade da valorização dos ativos brasileiros dependerá não apenas do resultado do segundo turno, mas também da credibilidade das propostas para as contas públicas.
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula está marcado para 25 de outubro e, até lá, as sinalizações econômicas dos dois candidatos devem permanecer no centro das atenções do mercado financeiro.
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