
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou na noite desta sexta-feira (16) de uma sabatina promovida pela TV Globo, na qual abordou temas como direitos trabalhistas, economia, segurança pública, Judiciário e a relação com sua família em um eventual governo.
Durante a entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, o candidato afirmou que não pretende reverter o fim da escala de trabalho 6x1, descartou a nomeação do ex-presidente Jair Bolsonaro para um cargo no governo e defendeu mudanças nas regras de reeleição.
A participação ocorreu na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um dos principais assuntos da entrevista foi a mudança de posicionamento do senador sobre a redução da jornada de trabalho.
Flávio Bolsonaro havia criticado anteriormente a proposta que prevê o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso. Entretanto, votou favoravelmente à medida no Congresso Nacional.
Durante a sabatina, explicou que decidiu apoiar a mudança após conversar com trabalhadores durante suas viagens pelo país.
O candidato garantiu que, caso seja eleito, não atuará para desfazer a decisão do Congresso.
Ele também foi questionado sobre uma proposta defendida por integrantes de seu partido que prevê maior flexibilização das jornadas e remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Flávio reafirmou que respeitará a mudança aprovada, embora a discussão sobre modelos alternativos de contratação continue presente entre parlamentares do PL.
Questionado sobre a participação de familiares em um eventual governo, Flávio afirmou que não pretende nomear o pai, Jair Bolsonaro, para ocupar um cargo na administração federal.
O senador declarou que considera o ex-presidente uma pessoa de confiança, com quem poderá conversar e buscar orientações, mas afirmou que uma nomeação não faz parte de seus planos.
Flávio também negou que seu irmão Eduardo Bolsonaro esteja sendo considerado para assumir o Ministério das Relações Exteriores.
Outro ponto destacado foi a defesa de mudanças nas regras eleitorais brasileiras.
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende exercer apenas um mandato presidencial, caso seja eleito, e defendeu uma Proposta de Emenda à Constituição para acabar com a possibilidade de reeleição para cargos do Poder Executivo.
Segundo o candidato, a medida permitiria que os governantes concentrassem seus esforços na administração pública, sem a preocupação de disputar um segundo mandato.
Ele também defendeu que eventuais mudanças impeçam a sucessão imediata por familiares, evitando que a proibição da reeleição seja contornada por candidaturas de parentes.
A proposta, no entanto, dependeria de aprovação pelo Congresso Nacional.
Durante a entrevista, o senador voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
Flávio acusou o magistrado de interferência política e defendeu uma reforma do Judiciário. As declarações representam o posicionamento do candidato e não constituem comprovação das acusações apresentadas.
O senador também afirmou que suspeitas envolvendo integrantes da Corte e possíveis relações com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, devem ser investigadas.
Ao abordar os atos de 8 de janeiro de 2023, Flávio condenou a depredação das sedes dos Três Poderes e as agressões contra policiais, mas questionou a caracterização dos episódios como tentativa de golpe de Estado.
O candidato afirmou ainda que respeitará o resultado das eleições e as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A sabatina também abordou os recursos destinados à produção do filme Dark Horse, relacionado à trajetória política de Jair Bolsonaro.
O senador foi questionado sobre valores associados ao empresário Daniel Vorcaro e ao financiamento da produção cinematográfica.
Flávio afirmou que os recursos tinham origem privada e negou a existência de contrapartidas políticas relacionadas ao investimento.
Durante sua resposta, o candidato também mencionou relações comerciais do Banco Master com empresas de comunicação e criticou a cobertura de determinados assuntos.
As operações financeiras mencionadas na entrevista seguem sendo objeto de questionamentos e apurações.
Na área econômica, Flávio Bolsonaro defendeu medidas de contenção de despesas públicas e redução da estrutura administrativa federal.
Entre as propostas mencionadas está a extinção de pelo menos dez ministérios, além de mudanças na gestão de empresas estatais e na recuperação de dívidas da União.
O candidato afirmou que pretende preservar direitos trabalhistas e previdenciários, incluindo as regras de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias.
Também declarou que não pretende eliminar os investimentos mínimos constitucionalmente previstos para saúde e educação.
As medidas apresentadas ainda dependem de detalhamento e, em determinados casos, de aprovação legislativa.
Antes da sabatina, Flávio Bolsonaro participou de um encontro institucional com representantes da direção da TV Globo.
A emissora informou que a reunião não contou com a participação de lideranças de seu departamento de Jornalismo.
A visita repercutiu no ambiente político e provocou críticas do presidente Lula, adversário de Flávio no segundo turno.
Após as entrevistas individuais concedidas à Globo, os dois candidatos têm um novo compromisso na campanha presidencial.
Lula e Flávio Bolsonaro devem participar neste domingo (18), às 20h, do primeiro debate do segundo turno, promovido pela Band.
O encontro será realizado em São Paulo e deverá reunir os candidatos para discutir propostas relacionadas à economia, segurança pública, políticas sociais e outros temas nacionais.
A votação do segundo turno está marcada para o dia 25 de outubro.
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