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Flávio Bolsonaro vota pelo fim da escala 6x1, mas defende proposta que pode alterar salários e jornadas de trabalho

Senador apoiou redução da jornada semanal sem corte salarial, mas também é favorável a um modelo alternativo que permite contratos por hora trabalhada e remuneração proporcional

15/10/2026 às 17h37
Por: Admin Fonte: Gazeta do Paraná
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Flávio Bolsonaro vota pelo fim da escala 6x1, mas defende proposta que pode alterar salários e jornadas de trabalho

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou favoravelmente à proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil. A votação ocorreu na noite de quarta-feira (14), quando o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a redução da jornada semanal e a ampliação do descanso remunerado dos trabalhadores.

Apesar do voto favorável, o parlamentar também defende uma proposta alternativa que estabelece maior flexibilidade nas relações trabalhistas, permitindo a contratação por hora trabalhada e a remuneração proporcional à carga horária cumprida.

As duas propostas possuem diferenças importantes, especialmente em relação à duração da jornada, à garantia de remuneração e às possibilidades de negociação entre empregadores e trabalhadores.

Senado aprova fim da escala 6x1 com ampla maioria

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada por 75 votos favoráveis e apenas um contrário, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Flávio Bolsonaro participou da votação remotamente, pois cumpria compromissos de campanha no Rio Grande do Sul.

O único senador a votar contra a proposta foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

O texto aprovado estabelece a substituição da escala de seis dias de trabalho por um de descanso por um modelo de até cinco dias de trabalho e dois dias de folga remunerada por semana.

Também determina a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.

A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional. Portanto, as novas regras ainda não estão em vigor.

Flávio Bolsonaro também apoia modelo de pagamento por hora

Embora tenha apoiado a mudança aprovada pelo Senado, Flávio Bolsonaro defende uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), por meio da PEC 12/2026.

O projeto propõe permitir que trabalhadores escolham entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e uma modalidade de contratação com jornada flexível e pagamento proporcional às horas efetivamente trabalhadas.

Nesse modelo, a remuneração seria calculada conforme o número de horas cumpridas, tendo como referência o salário mínimo ou o piso da categoria.

Outros direitos trabalhistas, como férias, décimo terceiro salário e depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), também seriam calculados proporcionalmente.

Diferentemente da proposta aprovada pelo Senado, a PEC alternativa não estabelece a redução geral da jornada máxima para 40 horas semanais.

Entenda a diferença entre as duas propostas

A principal diferença está na forma como cada projeto organiza a jornada e a remuneração dos trabalhadores.

A PEC 221/2019, aprovada pelo Senado, prevê uma jornada máxima de 40 horas semanais após o período de transição, com dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.

Já a PEC 12/2026 propõe um regime alternativo de contratação, no qual o trabalhador poderia receber de acordo com as horas efetivamente prestadas, sem a mesma garantia de remuneração mensal integral quando a carga horária contratada fosse menor.

Defensores da flexibilização argumentam que a medida poderia ampliar as possibilidades de contratação e permitir maior liberdade na organização dos horários.

Por outro lado, especialistas em direito do trabalho apontam que o modelo pode gerar instabilidade de renda, especialmente para profissionais que dependem de uma remuneração mensal fixa.

Mudança de posicionamento ocorreu antes da votação

Antes de anunciar apoio ao fim da escala 6x1, Flávio Bolsonaro havia criticado a proposta, questionando seus possíveis impactos econômicos e o momento em que estava sendo discutida no Congresso.

Na terça-feira (13), o senador declarou que votaria favoravelmente à medida, afirmando ter identificado apoio à mudança entre os trabalhadores durante suas viagens pelo país.

Apesar disso, manteve a defesa de um modelo que permita maior liberdade na definição das jornadas.

O parlamentar também argumentou que o governo deveria estudar mecanismos para compensar eventuais aumentos de custos enfrentados pelas empresas com a redução da carga horária.

PL pretende retomar proposta de flexibilização em 2027

O líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a legenda pretende priorizar a discussão da PEC que permite a remuneração por hora trabalhada em 2027, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.

A proposta ainda depende de tramitação e aprovação no Congresso Nacional. Portanto, não representa uma alteração já definida nas regras trabalhistas.

A possibilidade de mudanças futuras deverá ser discutida pelos parlamentares, considerando seus efeitos sobre trabalhadores, empregadores e a organização do mercado de trabalho.

O que muda agora para os trabalhadores?

Com a aprovação da PEC 221/2019 no Senado, o próximo passo é a promulgação da emenda constitucional.

O texto prevê que, 60 dias após a promulgação, a jornada máxima seja reduzida para 42 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.

Após mais 12 meses, o limite passará para 40 horas semanais, sem redução salarial.

Enquanto isso, a proposta de flexibilização defendida por Flávio Bolsonaro continua sendo uma discussão separada e não modifica automaticamente as regras aprovadas pelo Senado.

O debate sobre o futuro da jornada de trabalho no Brasil deverá continuar no Congresso, envolvendo questões como produtividade, custos empresariais, segurança jurídica e proteção da renda dos trabalhadores.

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