
Morre o papa Francisco, símbolo de humildade e reformas na Igreja Católica
O primeiro papa latino-americano deixa um legado de tolerância, diálogo e atenção aos mais pobres
O Vaticano confirmou na madrugada desta segunda-feira (21) a morte de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, aos 88 anos. O pontífice faleceu às 2h35, no horário de Brasília (7h35 no horário local), após enfrentar complicações de saúde nos últimos meses. Ele liderou a Igreja Católica por quase 12 anos e foi o 266º papa da história.
Nascido em Buenos Aires, na Argentina, Francisco entrou para a história ao ser o primeiro papa latino-americano e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo. Também foi o primeiro a assumir o papado após uma renúncia — a de Bento XVI, em 2013.
Durante seu pontificado, que começou em 13 de março de 2013, Francisco se destacou pelo estilo simples e por quebrar protocolos. Escolheu viver na Casa Santa Marta, em vez do Palácio Apostólico, e andava em carros modestos. Era um líder carismático, conhecido pelo bom humor e pelas falas diretas, mas também enfrentou fortes críticas de setores conservadores da Igreja.
Nos últimos meses, o papa enfrentava um quadro de saúde delicado. Em fevereiro, foi internado com bronquite e chegou a ser diagnosticado com pneumonia bilateral. Após cerca de 40 dias hospitalizado, recebeu alta, mas seguia com dificuldades para falar em público.
Desde o início de seu papado, Francisco demonstrou disposição para reformar a Igreja. Ele promoveu mudanças na administração do Vaticano, enfrentou escândalos financeiros e buscou maior transparência nos órgãos da Santa Sé. Defensor da ética e da simplicidade, também deixou claro seu compromisso com os mais pobres — o que reforçou ao adotar o nome Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis.
O papa também mostrou abertura em temas polêmicos. Permitiu bênçãos a casais do mesmo sexo, nomeou mulheres para cargos importantes no Vaticano e defendeu uma Igreja mais inclusiva. Ainda assim, foi criticado por não avançar em demandas como a ordenação de mulheres.
Francisco não hesitou em fazer críticas a líderes políticos e a guerras, e sempre reforçou o papel social da Igreja. Chamou atenção ao rezar sozinho, em 2020, na Praça de São Pedro, em plena pandemia da Covid-19, gesto que simbolizou a dor e o isolamento de milhões de pessoas pelo mundo.
Apesar da resistência de alas conservadoras, sua liderança foi amplamente respeitada — não apenas entre católicos, mas também entre agnósticos e outros religiosos, por seu esforço de diálogo e promoção da paz.
Com a morte do papa, a Igreja entra no período conhecido como sé vacante, quando o trono de Pedro fica oficialmente vago. O camerlengo (cardeal responsável pela administração interina da Igreja) assume funções temporárias e o Colégio dos Cardeais será convocado para o Conclave — reunião que escolherá o novo papa nas próximas semanas.
Até o momento, o Vaticano não divulgou detalhes sobre o funeral de Francisco, que deverá seguir o rito reservado aos papas em exercício.
Seu legado, porém, já está cravado na história da Igreja: o de um papa reformador, misericordioso e voltado ao povo.



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