
Beber café ou chá com cafeína diariamente pode estar associado a uma menor perda da capacidade cognitiva ao longo do envelhecimento, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (9). A pesquisa indica que o consumo regular dessas bebidas está ligado a uma redução modesta no risco de demência e de problemas de memória.
Publicado na revista científica JAMA, o estudo acompanhou cerca de 132 mil adultos norte-americanos por aproximadamente 40 anos. Os dados foram coletados a partir de questionários sobre hábitos de consumo e avaliações de saúde ao longo do tempo.
Os resultados mostram que pessoas com maior ingestão diária de café com cafeína apresentaram um risco 18% menor de desenvolver demência em comparação com aquelas que consumiam menos a bebida. Além disso, esse grupo relatou quase 2 pontos percentuais a menos de queixas de memória e raciocínio.
Efeito semelhante foi observado entre consumidores de chá com cafeína, enquanto bebidas descafeinadas não demonstraram a mesma associação, segundo os pesquisadores.
Apesar dos achados positivos, os autores reforçam que o estudo não comprova relação direta de causa e efeito. “O impacto da cafeína, se existir, é pequeno”, afirmou o pesquisador principal, Daniel Wang, da Harvard Medical School. Segundo ele, há evidências mais consistentes de que atividade física, alimentação equilibrada e sono adequado são fatores decisivos para a saúde cerebral.
Ainda assim, Wang destaca que o consumo moderado pode fazer parte do conjunto de hábitos protetores. “Nosso estudo sugere que o café ou o chá com cafeína podem ser uma peça desse quebra-cabeça”, disse em comunicado.
Os efeitos mais evidentes foram observados entre participantes que consumiam duas a três xícaras de café por dia ou uma a duas xícaras de chá com cafeína. Entre os consumidores de café, também houve melhor desempenho em alguns testes objetivos de função cognitiva.
A pesquisa foi financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde e aponta que compostos bioativos presentes no café e no chá, como cafeína e polifenóis, podem ajudar a reduzir inflamações e danos às células nervosas, fatores associados ao declínio cognitivo.
Outro dado relevante é que os benefícios foram observados mesmo entre pessoas com maior predisposição genética à demência. “Os resultados se mantiveram independentemente do risco genético”, afirmou o coautor Yu Zhang, da Escola de Saúde Pública T.H. Chan da Universidade de Harvard.
Os pesquisadores ressaltam que novos estudos ainda são necessários para confirmar os mecanismos envolvidos e entender melhor o papel da cafeína na proteção do cérebro.
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