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Projeto de Ivaiporã transforma mandioca e farelo de arroz em bioplástico e chega à final do Agrinho 2026

Alunos do Colégio Estadual Barão do Cerro Azul desenvolveram copo biodegradável após 47 testes e 26 protótipos; trabalho está entre os 30 selecionados para a etapa final do prêmio

16/09/2026 às 10h41
Por: Admin Fonte: Paraná Centro
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Projeto de Ivaiporã transforma mandioca e farelo de arroz em bioplástico e chega à final do Agrinho 2026

Um projeto desenvolvido dentro da sala de aula em Ivaiporã está transformando resíduos e produtos do campo em uma solução sustentável e já conquistou espaço entre os finalistas do Prêmio Agrinho 2026.

A professora Leine Carvalho Volpi, junto com alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Barão do Cerro Azul, criou o projeto “Agro que Embala o Futuro”, que resultou no desenvolvimento de um copo descartável produzido a partir de bioplástico feito com fécula de mandioca e farelo de arroz.

A iniciativa está entre os 30 trabalhos selecionados para a etapa final do prêmio, que neste ano tem como tema “Agroforte, Futuro Sustentável, Equilíbrio entre Produção e Meio Ambiente”.

O ponto de partida surgiu de um problema observado pelos próprios estudantes: o descarte de resíduos sólidos e, principalmente, de embalagens plásticas.

A partir disso, a turma começou a discutir de que forma o agronegócio poderia oferecer alternativas renováveis e mais sustentáveis para materiais usados no dia a dia.

Mandioca e farelo de arroz viram matéria-prima

Leine, que leciona Matemática e Educação Financeira, orientou os alunos a trabalhar com fontes confiáveis, critérios científicos e matérias-primas acessíveis à realidade regional.

A mandioca foi escolhida por ser amplamente cultivada em áreas rurais, enquanto o farelo de arroz entrou no projeto como um subproduto agroindustrial com potencial de reaproveitamento.

Depois de uma série de pesquisas, os estudantes passaram a testar diferentes combinações até encontrar uma liga capaz de formar um bioplástico.

O objetivo, porém, foi além de provar que o material poderia ser produzido.

A turma decidiu criar algo funcional e de uso cotidiano.

Foi então que surgiu a ideia de fabricar um copo para água.

47 testes até chegar ao resultado

Transformar a fórmula em um produto resistente foi uma das etapas mais difíceis do projeto.

Ao todo, foram realizados 47 testes e produzidos 26 protótipos diferentes até que os alunos chegassem a uma composição considerada adequada.

As primeiras tentativas apresentaram problemas de resistência, aparência e flexibilidade.

Segundo a professora, foi justamente nesse momento que o envolvimento dos alunos mais se destacou.

Mesmo diante dos resultados iniciais, eles continuaram fazendo ajustes e novas experiências até alcançar um material capaz de resistir à água e manter características semelhantes às do plástico convencional.

O trabalho consumiu 14 aulas e cerca de dois meses e meio de desenvolvimento, além das observações realizadas pelos estudantes fora da escola.

Biodegradação começa em até 60 dias

Outro desafio era garantir que o produto não apenas utilizasse matérias-primas renováveis, mas também pudesse se degradar no meio ambiente.

Os testes realizados mostraram que, após cerca de 60 dias em contato com o ambiente, fungos começam a atuar sobre o material, iniciando o processo de decomposição.

A coloração dos copos também foi pensada dentro da proposta de sustentabilidade.

Foram utilizados corantes alimentícios, escolhidos justamente por também apresentarem características biodegradáveis.

Professora chega à terceira final

Esta é a terceira vez que Leine Volpi chega à etapa final do Prêmio Agrinho.

A professora já havia sido selecionada em 2000 e novamente em 2024, quando apresentou um projeto voltado à criação de uma indicação geográfica para o café produzido no distrito de Jacutinga.

A educadora destaca que a competição reúne trabalhos de núcleos regionais de grande porte, como Toledo, Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa.

Mesmo diante da concorrência, ela afirma que a presença entre os 30 selecionados já representa um reconhecimento importante pela originalidade e pela inovação do projeto.

A cerimônia de premiação está prevista para 9 de novembro, em Curitiba.

Projeto recebe reconhecimento do NRE

O chefe do Núcleo Regional de Educação de Ivaiporã, Valber Clarimundo, visitou o Colégio Barão do Cerro Azul para conhecer o trabalho.

Ele destacou a qualidade do projeto e afirmou que a iniciativa demonstra o potencial da escola pública na formação de alunos mais conscientes e envolvidos com pesquisa.

Valber também ressaltou o papel da professora e da equipe escolar na construção de uma metodologia que vai além do conteúdo tradicional de sala de aula.

Para ele, projetos como esse ajudam a modificar hábitos de consumo e ampliam a compreensão dos estudantes sobre sustentabilidade.

Alunos insistiram até o protótipo dar certo

A diretora do colégio, Sandra Manesco, também destacou o envolvimento dos estudantes.

Segundo ela, em determinado momento a própria professora chegou a considerar a possibilidade de abandonar o protótipo, mas os alunos insistiram em continuar os testes.

O grupo seguiu alterando a receita até chegar à versão final.

Apesar de partir de referências científicas já existentes, os estudantes desenvolveram uma formulação própria, adaptada às condições e aos materiais utilizados no projeto.

Para a direção, o resultado mostra a importância de métodos de ensino que incentivem pesquisa, criatividade e autonomia.

Sustentabilidade foi além do copo

O trabalho desenvolvido pelos alunos não ficou restrito ao bioplástico.

Outros grupos também buscaram soluções para reaproveitamento de materiais descartados.

Garrafas PET foram utilizadas na construção de uma casinha térmica para cachorro.

Foram empregadas 90 garrafas na estrutura, que posteriormente foi doada ao abrigo de animais de Ivaiporã.

Pneus sem utilidade também ganharam uma nova função.

Os estudantes transformaram o material em camas para animais, unindo reaproveitamento, criatividade e cuidado com o meio ambiente.

Com diferentes frentes de trabalho, o projeto mostra como um problema identificado dentro da própria comunidade pode ser transformado em pesquisa, inovação e aprendizado.

Agora, a experiência de Ivaiporã segue para a etapa final do Agrinho 2026 levando uma proposta criada por estudantes, baseada em produtos do campo e voltada para um desafio cada vez mais presente: reduzir o impacto dos resíduos plásticos no meio ambiente.

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