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Gaeco investiga suspeita de desvio de R$ 1,6 milhão em ONG de proteção animal e candidata é alvo da operação

Operação cumpriu nove mandados de busca em Campo Largo e Curitiba; Justiça bloqueou bens e suspendeu rifas, bingos e sorteios da entidade

19/09/2026 às 09h43 Atualizada em 19/09/2026 às 10h49
Por: Admin Fonte: Gazeta do Paraná
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Gaeco investiga suspeita de desvio de R$ 1,6 milhão em ONG de proteção animal e candidata é alvo da operação

O Ministério Público do Paraná divulgou novos detalhes da Operação Resgate, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, na quinta-feira (17), em Campo Largo e Curitiba.

A investigação apura suspeitas de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular envolvendo o Instituto SOS 4 Patas, entidade que atua na proteção animal.

A principal investigada é Mariane Aparecida Mazzon, conhecida como Mari Mazzon SOS 4 Patas, além de outras pessoas e empresas ligadas à entidade. Mariane também é candidata a deputada estadual pelo Partido Missão nas eleições de 2026, e o registro de sua candidatura aparece como deferido em bases que reproduzem dados oficiais da Justiça Eleitoral.

Nove mandados de busca foram cumpridos

Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à ONG, a pessoas investigadas e a empresas ligadas ao caso.

As diligências ocorreram em Campo Largo e Curitiba.

O processo tramita sob segredo de Justiça.

Justiça bloqueia até R$ 1,6 milhão

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de aproximadamente R$ 1,6 milhão.

Também foi determinada a suspensão imediata da captação de recursos da ONG por meio de rifas, sorteios e bingos.

As medidas foram adotadas dentro da investigação que apura possíveis crimes de organização criminosa, peculato-desvio, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.

MP investiga possível desvio de doações

Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a diretoria e o conselho fiscal da entidade seriam compostos por integrantes de um mesmo núcleo familiar.

O Ministério Público apura se parte dos valores arrecadados por meio de doações, campanhas e sorteios teria sido transferida para contas particulares da diretora executiva.

A investigação também analisa a possível utilização de recursos da ONG para pagamento de despesas pessoais e eventuais repasses a terceiros.

Há ainda suspeitas relacionadas à realização dos sorteios promovidos pela entidade.

Os valores sob investigação chegam a cerca de R$ 1,6 milhão, segundo as informações divulgadas após a operação.

ONG anuncia que vai encerrar atividades

Após a operação, o Instituto SOS 4 Patas divulgou uma manifestação pública afirmando que pretende iniciar o processo de encerramento das atividades.

A entidade disse não ter mais condições de continuar realizando novos resgates e afirmou que passará a concentrar os esforços nos animais que já estão sob seus cuidados.

Segundo números divulgados pelo próprio Instituto, atualmente são 642 animais dependentes da estrutura mantida pela organização.

Entidade diz ter realizado milhares de resgates

Na manifestação, o Instituto informou ter realizado 3.648 resgates e 1.965 adoções desde 2021.

A organização também afirma que somente entre 2025 e 2026 foram resgatados 1.521 animais em diferentes municípios.

Os números foram apresentados pela própria entidade e não fazem parte das conclusões da investigação do Ministério Público.

Com o anúncio de encerramento, o SOS 4 Patas informou que não pretende realizar novos resgates e deverá priorizar adoções, lares temporários e a manutenção dos animais que permanecem na instituição.

Municípios devem ser procurados

O Instituto também afirmou que pretende entrar em contato com municípios de origem dos animais para discutir alternativas para aqueles que permanecem sob responsabilidade da entidade.

Segundo a organização, os custos atuais incluem alimentação, funcionários, medicamentos, tratamentos veterinários, fisioterapia e hospedagem.

A entidade sustenta que precisará de apoio para garantir a manutenção dos animais enquanto busca soluções para o futuro da instituição.

Investigação continua

A Operação Resgate é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo, com apoio do Gaeco.

Como o procedimento corre sob segredo de Justiça, parte dos elementos reunidos durante a investigação não foi tornada pública.

As medidas adotadas contra os investigados são cautelares e não representam condenação.

A apuração deverá agora avançar sobre documentos, movimentações financeiras e materiais apreendidos durante as buscas para tentar esclarecer a origem e o destino dos recursos investigados.

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