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Classificação revisada: tornado de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava chegam a F4, o nível “devastador”

Laudo do Simepar reforça gravidade do fenômeno e detalha percursos que ultrapassaram 70 km.

26/11/2025 às 09h00
Por: Admin Fonte: Governo do Paraná
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Classificação revisada: tornado de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava chegam a F4, o nível “devastador”

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) finalizou nesta semana um extenso laudo técnico que reconstrói, em detalhes, a formação, a rota e a força dos três tornados que atingiram o Estado em 7 de novembro. Com mais de 130 páginas, o documento elevou para F4 a classificação dos tornados registrados em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, enquanto manteve o fenômeno que atingiu Turvo como F2 na Escala Fujita.

Ao todo, 11 municípios sofreram impactos diretos: Rio Bonito do Iguaçu, Turvo, Guarapuava, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Cantagalo e Candói.

O levantamento integra dados de meteorologia operacional, sensoriamento remoto, geointeligência e análise geoespacial. O trabalho contou com apoio do Corpo de Bombeiros, Instituto Água e Terra e Defesa Civil Estadual. Segundo o Simepar, o episódio figura entre os mais severos registrados no Paraná nas últimas três décadas, tanto pela quantidade de tornados quanto pelo nível de destruição registrado em diferentes regiões.

Como o evento se formou

O laudo explica que um ramo frio de um ciclone extratropical atuando sobre o Sul do Brasil foi o principal responsável por iniciar tempestades altamente instáveis no Paraná naquele dia. Dentro desse ambiente, nuvens de grande intensidade evoluíram para supercélulas, um tipo de tempestade com rotação interna e grande potencial destrutivo.

Esse cenário, aliado ao forte cisalhamento do vento e ao transporte de ar quente e úmido, criou condições ideais para a formação dos tornados.

Duas supercélulas foram responsáveis pelos três tornados registrados.


Classificação e trajetórias

Tornado 1 – o mais destrutivo

A primeira supercélula produziu o Tornado 1, que percorreu aproximadamente 75 km, atingindo diferentes municípios com intensidades variadas:

  • F1 – Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras

  • F4 – Rio Bonito do Iguaçu

  • F3 – Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul

  • F2 – Virmond

  • F1 – Cantagalo

A área de impacto foi estimada em 12.426 hectares, com larguras variando de 750 metros a 3.250 metros em seu trecho mais intenso. Em Rio Bonito do Iguaçu, o tornado causou destruição extrema, derrubando estruturas, tombando veículos e lançando objetos a grandes distâncias.


Tornado 2 – Guarapuava e Candói

Ainda pela mesma supercélula, formou-se o Tornado 2, que atingiu:

  • Candói – F2

  • Guarapuava (Entre Rios) – F4

Com cerca de 44 km de percurso e 2.301 hectares de área afetada, esse tornado apresentou danos que incluem colapso total de casas de alvenaria, devastação de vegetação e o arremesso de um container por aproximadamente 150 metros.


Tornado 3 – Turvo

A segunda supercélula gerou o Tornado 3, classificado como F2, que passou por Turvo. Foram 12 km de trilha e 570 hectares de área atingida, com larguras entre 400 e 675 metros.


Intensidades na Escala Fujita

  • F1: 116 km/h a 180 km/h — danos moderados

  • F2: 180 km/h a 253 km/h — severo

  • F3: 253 km/h a 332 km/h — muito severo

  • F4: 332 km/h a 418 km/h — devastador

  • F5: acima de 418 km/h — destruição considerada “incrível”


O trabalho técnico

Dias antes do evento, o Simepar já emitia alertas sobre tempestades severas. Em parceria com a Defesa Civil, reforçou o monitoramento das regiões sob risco. Durante a tarde de 7 de novembro, uma operação especial mobilizou todos os meteorologistas da sede em Curitiba.

Assim que os primeiros sinais do tornado surgiram em Rio Bonito do Iguaçu, análises preliminares apontaram indícios fortes do fenômeno, inclusive com a identificação de um hook echo — assinatura clássica em radares que indica rotação.

Na manhã seguinte, especialistas do Simepar realizaram sobrevoos e entrevistas com moradores e equipes de resgate. Fotografias aéreas e terrestres, vídeos e depoimentos foram fundamentais para reconstruir o caminho dos tornados e medir seus danos.

Após semanas de estudo e integração de dados, o laudo passou por revisão dos 15 meteorologistas do Simepar, que consolidaram a classificação final.


Fortalecimento da gestão de risco

O diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso, destacou que o trabalho conjunto entre diversas áreas reforça a capacidade do Paraná de responder a eventos climáticos extremos.

O secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, afirmou que análises como essa são essenciais para aprimorar a mitigação de riscos e a resiliência da população.

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