
A Polícia Federal concluiu a primeira fase da investigação da Operação Sem Desconto, que apura um suposto esquema nacional de descontos irregulares em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório final, com 265 páginas, foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e agora será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá os próximos passos do caso.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do instituto, Virgílio de Oliveira Filho, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca", e o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada um no suposto esquema.
As investigações apontam que milhares de aposentados e pensionistas tiveram valores descontados mensalmente de seus benefícios como se fossem filiados a associações, mesmo sem autorização ou qualquer vínculo com essas entidades.
Segundo os investigadores, os descontos indevidos ocorreram entre os anos de 2019 e 2024 e podem ter causado um prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões aos beneficiários do INSS.
A Conafer está entre as entidades investigadas por supostamente participar da estrutura utilizada para realizar os descontos. O caso teve início em 2023, após auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram indícios de irregularidades e encaminharam as informações à Polícia Federal para investigação criminal.
Com a conclusão desta etapa, o relatório segue para a Procuradoria-Geral da República, responsável por decidir se apresentará denúncia à Justiça, solicitará novas diligências ou pedirá o arquivamento da investigação.
As defesas do ex-presidente do INSS e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes informaram que ainda não irão se manifestar por não terem acesso integral aos autos. Já a Conafer não havia se pronunciado até a divulgação das informações.
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