
O médico Lucas Hoffmann viveu uma mudança radical de vida após ser diagnosticado com uma condição rara e silenciosa que atingiu sua medula espinhal. O que começou com fortes dores na cervical durante um plantão médico terminou, poucas horas depois, com a perda dos movimentos das pernas.
O responsável pelo quadro foi um cavernoma medular, uma malformação vascular rara que provoca alterações nos vasos sanguíneos e pode causar hemorragias graves. No caso de Lucas, o sangramento atingiu a medula espinhal, interrompendo a comunicação entre o cérebro e o corpo.
“Eu saí de um dia normal de trabalho para uma vida completamente diferente, em uma cadeira de rodas”, relatou.
A doença é considerada silenciosa e, muitas vezes, só é descoberta após um sangramento. Embora o cavernoma possa surgir no cérebro, casos na medula espinhal representam apenas uma pequena parcela dos diagnósticos, tornando a situação ainda mais incomum.
Após o primeiro episódio, Lucas iniciou uma intensa rotina de reabilitação e chegou a apresentar avanços importantes com fisioterapia. No entanto, meses depois, sofreu um novo sangramento ainda mais grave, que comprometeu também os movimentos dos braços.
Diante da gravidade, ele foi transferido para São Paulo, onde passou por uma cirurgia delicada de oito horas conduzida por especialistas. O procedimento utilizou uma técnica moderna de monitoramento neurológico em tempo real, permitindo que cada movimento da cirurgia fosse acompanhado milimetricamente para preservar as funções da medula.
A cirurgia foi considerada um sucesso, e o médico conseguiu manter os movimentos dos braços. Ainda assim, a recuperação dos movimentos das pernas segue sendo uma incógnita para a medicina.
Especialistas explicam que lesões medulares possuem recuperação limitada e que não existe, atualmente, um tratamento capaz de garantir a regeneração completa da medula espinhal. Pesquisas com substâncias experimentais, como a polilaminina, ainda estão em fases iniciais de testes.
Mesmo diante das dificuldades, Lucas decidiu transformar sua própria dor em inspiração. Longe do consultório, passou a usar as redes sociais para falar sobre acessibilidade, reabilitação e os desafios enfrentados por pessoas cadeirantes. Hoje, milhares de pessoas acompanham sua jornada.
“Tenho esperança de voltar a andar, mas enquanto isso não acontece, quero continuar ajudando pessoas e exercendo meu propósito como médico”, afirmou.
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