
O aumento da inadimplência no crédito rural e os prejuízos acumulados pelo agronegócio nas últimas safras colocaram o financiamento da produção entre as principais preocupações do setor. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a discussão de propostas que buscam ampliar o acesso ao crédito, reduzir os riscos das operações e oferecer alternativas para produtores que enfrentam dificuldades financeiras.
Nos últimos anos, fatores como a queda no preço de diversas commodities, o aumento dos custos de produção e os impactos provocados por eventos climáticos extremos agravaram a situação econômica de milhares de produtores rurais em todo o país. Dados do Banco Central indicam que mais de R$ 202 bilhões da carteira de crédito rural estão classificados como operações problemáticas, incluindo contratos em atraso, inadimplentes, renegociados ou prorrogados. Considerando também as dívidas privadas, esse montante ultrapassa R$ 250 bilhões.
Na avaliação da FPA, o atual nível de endividamento não é resultado de uma expansão desordenada da atividade, mas das dificuldades enfrentadas para manter a produção diante de um cenário econômico e climático desfavorável.
Como resposta imediata, a bancada apoia a Medida Provisória nº 1.376/2026, que cria mecanismos para renegociação de dívidas e busca facilitar o acesso dos produtores aos recursos do Plano Safra 2026/2027. A proposta também amplia as possibilidades de renegociação de contratos e estende prazos para pagamento de financiamentos rurais.
Entre as iniciativas consideradas estratégicas está a criação de um fundo garantidor para a agropecuária. O mecanismo pretende funcionar como uma proteção para operações de crédito em períodos de perdas causadas por secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos, reduzindo o risco das instituições financeiras e estimulando a liberação de novos financiamentos ao setor.
Outra medida defendida pela bancada é a implantação do chamado Open Finance do agro. O sistema permitirá que produtores autorizem o compartilhamento de informações financeiras e produtivas entre instituições de crédito, possibilitando análises mais precisas do perfil de cada cliente. A expectativa é aumentar a concorrência entre bancos, reduzir custos operacionais e ampliar a oferta de financiamentos com condições mais adequadas à realidade do campo.
A Frente Parlamentar também trabalha na construção da chamada Lei do Agro 3, um conjunto de propostas voltadas à modernização do sistema de financiamento do agronegócio. Entre os principais pontos está a ampliação da participação de investidores estrangeiros no crédito rural, medida que poderá elevar significativamente o volume de recursos disponíveis para o setor.
Segundo os parlamentares envolvidos nas discussões, um dos principais desafios é garantir que pequenos e médios produtores também tenham acesso às novas modalidades de financiamento, reduzindo a concentração de oportunidades atualmente observada entre grandes grupos do agronegócio.
Com a combinação de medidas emergenciais e reformas estruturais, a expectativa é fortalecer o sistema de crédito rural, ampliar o acesso ao financiamento, reduzir o custo das operações e oferecer maior segurança ao produtor diante das oscilações do mercado e dos impactos provocados pelas mudanças climáticas.
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