
A crise que atinge o Supremo Tribunal Federal após as revelações relacionadas ao Banco Master começa a ultrapassar os limites do Judiciário e já provoca preocupação direta no núcleo político ligado à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O centro do desgaste está na situação do ministro Alexandre de Moraes, que passou a enfrentar forte pressão após a divulgação de mensagens e informações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O episódio também aprofundou as tensões internas no STF e ampliou o embate entre Moraes e o ministro André Mendonça.
Para aliados de Lula, o principal risco está na associação política construída nos últimos anos entre o presidente e Moraes. O ministro se tornou uma figura central nas investigações sobre os ataques de 8 de Janeiro e outros episódios ligados à tentativa de ruptura institucional, recebendo em diferentes momentos manifestações públicas de apoio do campo governista.
Agora, essa proximidade passou a ser explorada pela oposição.
Flávio Bolsonaro e seus aliados intensificaram os ataques a Moraes e passaram a vincular diretamente o ministro à candidatura de Lula. Durante atos recentes, o senador chegou a afirmar que votar no presidente significaria também apoiar Moraes, numa estratégia que busca transformar a crise institucional em tema central da eleição.
O problema para o governo é encontrar a distância adequada.
Uma defesa irrestrita de Moraes poderia fazer Lula absorver parte do desgaste causado pelas revelações. Por outro lado, um rompimento abrupto com o ministro também poderia gerar desgaste político depois de anos de aproximação entre o governo, seus aliados e o magistrado.
Diante desse cenário, Lula passou a adotar uma postura mais cautelosa. O presidente conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e aliados definiram como linha pública a defesa de que ninguém está acima da lei, evitando assumir diretamente a defesa de qualquer um dos ministros envolvidos na crise.
A preocupação cresce justamente porque a eleição presidencial de 2026 apresenta sinais de maior equilíbrio.
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7) apontou empate de 41% a 41% entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. O levantamento ouviu 2.004 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Nesta terça-feira (8), outro levantamento reforçou o cenário apertado. A pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno, com 46% contra 45% de Lula, diferença que permanece dentro da margem de erro. No primeiro turno, Lula aparece com 39%, Flávio com 35% e Augusto Cury com 9%.
Os levantamentos foram realizados por institutos diferentes e não devem ser comparados diretamente como uma sequência única. Ainda assim, ambos mostram uma corrida presidencial altamente competitiva.
Dentro do campo governista, o temor é que o caso deixe de ser percebido apenas como uma disputa entre ministros e passe a atingir temas mais sensíveis para o eleitorado, como confiança nas instituições, privilégios, transparência e relações entre autoridades e agentes do sistema financeiro.
Até o momento, não há base para afirmar que a movimentação nas pesquisas seja consequência direta da crise envolvendo Moraes e o Banco Master. O comportamento eleitoral depende de uma série de fatores políticos, econômicos e sociais.
O risco, porém, já entrou no cálculo da campanha.
A estratégia do governo tende a ser a de evitar uma defesa automática de Moraes, cobrar que os fatos sejam esclarecidos pelas instituições competentes e impedir que uma crise originada no Supremo seja transformada pela oposição em um desgaste direto para Lula.
Com a eleição cada vez mais disputada, o caso Banco Master deixa de ser apenas uma crise do STF e passa a ocupar também o centro da batalha política de 2026.
Mín. 11° Máx. 21°
