
O El Niño de 2026 pode atingir uma intensidade excepcional nos últimos meses do ano e entrar para a história entre os episódios mais fortes já observados.
Projeções de modelos climáticos analisadas pela MetSul Meteorologia indicam que as águas do Pacífico Equatorial podem alcançar, entre novembro e dezembro, anomalias próximas de 4°C acima da média na região conhecida como Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para monitorar o fenômeno.
Caso esse cenário se confirme, o episódio poderá superar com ampla margem alguns dos eventos mais intensos das últimas décadas e alcançar um patamar considerado excepcional.
O cenário desperta atenção principalmente porque o fenômeno se fortaleceu de maneira muito rápida ao longo de 2026.
NOAA confirma El Niño em forte intensificação
O boletim mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado em 10 de setembro, confirma que o El Niño segue se fortalecendo.
Segundo o órgão, existe mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027, período correspondente à primavera e ao verão no Brasil.
Em agosto, a anomalia média mensal na região Niño 3.4 chegou a aproximadamente +1,8°C, enquanto áreas mais a leste do Pacífico registraram valores ainda superiores.
Dados semanais analisados pela MetSul mostram que o episódio já atingiu patamares extremamente elevados e se fortaleceu mais cedo do que em grandes eventos históricos, como os El Niños de 1982/83, 1997/98 e 2015/16.
Pico pode ocorrer entre novembro e dezembro
Os modelos climáticos apontam que o ápice do fenômeno deverá ocorrer no final deste ano.
Algumas simulações indicam novembro como o período de maior intensidade, enquanto outras projetam dezembro.
A mediana de determinados modelos analisados pela MetSul indica possibilidade de anomalias ao redor de +4°C na região Niño 3.4.
Se esse valor se confirmar, seria um nível muito acima do limite informalmente utilizado para classificar um episódio como “Super El Niño”, geralmente associado a anomalias superiores a aproximadamente 2°C.
Mesmo assim, meteorologistas ressaltam que previsões para meses à frente ainda podem sofrer alterações e que a intensidade final somente poderá ser confirmada com observações realizadas ao longo dos próximos meses.
Fenômeno pode influenciar o clima brasileiro
A preocupação no Brasil aumenta porque o período de maior intensidade previsto coincide justamente com a primavera e o início do verão.
O El Niño altera a circulação atmosférica em escala global e pode modificar tanto o regime de chuvas quanto as temperaturas.
No Sul do Brasil, episódios fortes do fenômeno historicamente estão associados a maior frequência de períodos de chuva e eventos de precipitação intensa.
Em outras regiões, os efeitos podem ser diferentes, incluindo períodos de calor acentuado e alterações na distribuição das chuvas.
Isso não significa, porém, que cada temporal ou onda de calor possa ser atribuída diretamente ao El Niño.
Intensidade não significa impacto proporcional
Outro ponto importante destacado por meteorologistas é que um El Niño extremamente forte não produz necessariamente impactos climáticos na mesma proporção.
A temperatura do Pacífico é apenas um dos fatores que influenciam o comportamento da atmosfera.
Outros sistemas meteorológicos, padrões oceânicos e condições regionais também interferem na distribuição e na intensidade das chuvas e temperaturas.
Por isso, mesmo diante de projeções excepcionais, ainda não é possível afirmar exatamente quais cidades ou regiões enfrentarão os maiores impactos.
Evento já chama atenção pela rapidez
O comportamento de 2026 já é considerado incomum pela velocidade de fortalecimento.
No início do ano, o Pacífico ainda passava por uma transição após condições de La Niña. Em abril, a NOAA ainda trabalhava com condições neutras e apenas uma perspectiva de formação do El Niño ao longo dos meses seguintes.
Em junho, as condições do fenômeno já estavam estabelecidas. Em setembro, o cenário havia mudado novamente, com a NOAA indicando probabilidade superior a 90% de um episódio muito forte.
Agora, a atenção dos meteorologistas se volta para novembro e dezembro.
Caso as projeções mais extremas dos modelos sejam confirmadas, o El Niño de 2026 poderá entrar para a história como um dos episódios mais intensos já registrados no Pacífico Equatorial, com possíveis reflexos importantes no clima brasileiro durante a primavera e o verão.
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