
O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) adotou um discurso duro sobre um eventual segundo turno envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Durante encontro com investidores realizado em São Paulo, na quinta-feira (10), Cury descartou qualquer possibilidade de apoiar Lula caso fique fora da segunda etapa da eleição.
Na mesma ocasião, o candidato afirmou que um eventual apoio a Flávio Bolsonaro dependeria de uma série de condições.
Entre elas, Cury cobrou esclarecimentos sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que aparece em investigações recentes, além de exigir que Flávio demonstrasse, segundo suas palavras, não estar envolvido em corrupção.
Apoio não seria automático
Ao ser questionado sobre qual posição adotaria em um segundo turno sem sua presença, Cury foi categórico ao descartar Lula.
Já em relação a Flávio Bolsonaro, o presidenciável do Avante disse que qualquer composição dependeria de explicações convincentes e também de um compromisso com pontos do programa de governo defendido por ele.
Cury afirmou que Flávio teria de assumir formalmente determinados compromissos programáticos antes de receber qualquer manifestação de apoio.
A fala mostrou que, naquele momento, o candidato do Avante mantinha uma porta aberta para uma eventual aproximação com o senador do PL, mas sem oferecer um apoio automático.
“Dark Horse” entra no centro da cobrança
Um dos principais pontos citados por Augusto Cury foi o caso envolvendo o filme “Dark Horse”.
A produção, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a aparecer em investigações relacionadas à origem e ao destino de recursos utilizados em seu financiamento.
Cury afirmou que Flávio Bolsonaro precisaria esclarecer essas questões antes de qualquer possibilidade de apoio eleitoral.
O presidenciável do Avante também tentou diferenciar críticas políticas de ataques pessoais, afirmando que candidatos precisam responder sobre suas gestões, propostas e eventuais questionamentos públicos.
Discurso ficou ainda mais duro no dia seguinte
Um dia depois, porém, Augusto Cury foi ainda mais longe.
Em entrevista ao SBT Brasil na sexta-feira (11), o candidato afirmou que não havia condições de apoiar nem Lula nem Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.
A nova declaração representou um endurecimento em relação à posição apresentada anteriormente, quando ainda admitia a possibilidade de apoiar Flávio sob determinadas condições.
Com isso, a posição mais recente de Cury é de distanciamento dos dois principais adversários na disputa presidencial.
Cury aparece em terceiro lugar em pesquisas
A movimentação política ganha importância porque Augusto Cury aparece atualmente como uma terceira força na corrida presidencial.
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostra Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 31% e Augusto Cury com 7%.
No levantamento BTG/Nexus, Lula aparece com 42%, Flávio Bolsonaro com 37% e Cury com 6%.
Os números colocam o candidato do Avante em posição potencialmente relevante para um eventual segundo turno, principalmente pelo destino dos votos de seus eleitores caso ele não avance à etapa final.
Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados
As pesquisas mais recentes também mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Na Quaest, Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno, com 42%, contra 40% de Lula, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro.
Já o levantamento BTG/Nexus aponta Lula com 47% e Flávio com 46%, também em situação de empate técnico.
Nesse cenário, a posição adotada por candidatos como Augusto Cury pode ganhar peso político durante a reta final da campanha.
Por enquanto, porém, o candidato do Avante sinaliza que pretende preservar sua própria identidade eleitoral e evitar uma adesão automática aos dois principais polos da disputa.
Com a eleição se aproximando e os levantamentos mostrando uma corrida apertada, as declarações de Cury ampliam a disputa pelo eleitorado que busca uma alternativa fora da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
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