
Uma operação policial deflagrada contra um esquema de furto de gado no Noroeste do Paraná resultou na prisão de um servidor da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e no cumprimento de dezenas de medidas judiciais.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, foram cumpridos 14 dos 17 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Durante a ação, outras sete pessoas também foram presas em flagrante.
A investigação apura a atuação de um grupo que, ao longo de aproximadamente sete anos, teria furtado cerca de 2 mil cabeças de gado em propriedades rurais da região.
O prejuízo estimado aos produtores chega a R$ 10 milhões.
Investigação começou após furto de 29 animais
O caso começou a ser investigado em agosto de 2025, depois do furto de 29 cabeças de gado de uma propriedade rural em Alto Paraná, município próximo a Paranavaí.
A partir dessa ocorrência, os investigadores passaram a identificar conexões entre suspeitos e outros casos semelhantes registrados na região.
Segundo a PCPR, as apurações revelaram uma estrutura organizada e hierarquizada, com divisão de funções entre os envolvidos.
Servidor é suspeito de atuar como facilitador
Entre os presos está um servidor da Adapar.
De acordo com a investigação, ele teria atuado como possível facilitador do grupo, auxiliando na obtenção de documentos capazes de dar aparência de legalidade à origem e ao transporte dos animais.
O delegado João Lucas Vieira Caetano afirmou que existem indícios de que os investigados recorriam ao servidor para conseguir documentação utilizada na movimentação do gado.
A participação exata dele ainda será apurada no decorrer do inquérito.
Esquema teria movimentado animais furtados
A Polícia Civil suspeita que a organização contava com uma estrutura voltada não apenas à retirada dos animais das propriedades, mas também à regularização fraudulenta e ao transporte posterior do gado.
Esse mecanismo permitiria inserir os animais furtados na cadeia comercial com aparência de origem legítima.
A investigação busca agora identificar a extensão do esquema, o destino dos animais e a participação de cada suspeito.
Adapar diz que colabora com a investigação
Em coletiva de imprensa, o chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, afirmou que a agência está colaborando com as autoridades.
Segundo ele, novas informações encaminhadas pela Polícia Civil serão analisadas para que sejam adotadas medidas administrativas e sanitárias dentro da competência do órgão.
A Adapar também poderá instaurar procedimentos internos a partir dos elementos reunidos na investigação.
Apuração continua
A operação ainda segue em andamento, e três mandados de prisão preventiva permaneciam pendentes de cumprimento.
A Polícia Civil deve aprofundar a análise de documentos, movimentações e vínculos entre os investigados para esclarecer como o grupo atuava e se há outros furtos relacionados ao mesmo esquema.
O caso é considerado de grande impacto para o setor rural do Noroeste do Paraná pelo volume de animais supostamente furtados e pelo prejuízo milionário estimado aos produtores.
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