
Um menino de 11 anos foi impedido de embarcar em um ônibus escolar em Diamante do Sul, no oeste do Paraná, e desde então passou a enfrentar uma rotina mais longa para chegar à escola. A criança mora na zona rural, a cerca de 11 quilômetros da unidade de ensino onde estudava.
O episódio aconteceu no dia 4 de março e foi registrado pelo pai do aluno, Clair Mantovani. Nas imagens, o motorista afirma que o embarque só seria permitido com autorização do prefeito. O vídeo também mostra o momento em que o menino deixa o veículo e é amparado pelo pai.
Segundo a família, o estudante utilizava o transporte escolar há cerca de seis anos sem qualquer problema. A situação mudou após um impasse territorial: embora a residência esteja localizada em área pertencente ao município de Nova Laranjeiras, a escola mais próxima fica em Diamante do Sul, cidades que estão a cerca de 50 quilômetros de distância entre si.
Após o ocorrido, a rotina da família foi alterada. Inicialmente, o pai passou a levar o filho por conta própria até o Colégio Estadual Osório Duque Estrada, em Diamante do Sul. Dias depois, a Secretaria de Educação de Nova Laranjeiras orientou a transferência do aluno para uma escola do próprio município, informando que haveria transporte disponível na região.
A mudança foi realizada no dia 16 de março. Desde então, o menino passou a estudar no Colégio Estadual do Campo do Guarani, em Nova Laranjeiras. Com isso, o trajeto diário aumentou significativamente: agora são cerca de 70 quilômetros percorridos por dia, com duração aproximada de duas horas. Antes, o deslocamento total levava cerca de 40 minutos.
O caso gerou repercussão e motivou questionamentos sobre a responsabilidade pelo transporte escolar. O prefeito de Diamante do Sul, Darci Tirelli (PSB), afirmou que não determinou a proibição do embarque e atribuiu a decisão ao motorista. Segundo ele, como a residência da família está em território de Nova Laranjeiras, cabe a esse município garantir o transporte.
A prefeitura também alegou dificuldades logísticas e de segurança, afirmando que o acesso ao ponto mais próximo exige a travessia de um rio, o que inviabilizaria o trajeto do ônibus escolar.
Por outro lado, a Prefeitura de Nova Laranjeiras informou que ofereceu transporte ao estudante para uma escola do município após a suspensão do serviço em Diamante do Sul.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná destacou que a responsabilidade pelo transporte escolar é das prefeituras, cabendo ao Estado garantir a matrícula e a frequência do aluno.
Diante da situação, o Ministério Público do Paraná ingressou com uma Ação Civil Pública para assegurar o direito ao transporte escolar. Em decisão provisória, a Justiça determinou que o município de Diamante do Sul providencie o deslocamento do estudante até a escola onde ele estudava anteriormente.
Apesar da determinação judicial, até esta quarta-feira (25), o caso ainda não havia sido solucionado, e o menino continuava enfrentando o trajeto mais longo diariamente.
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