
Dois estudantes do curso de Direito do Centro Universitário do Pará estão sendo investigados por envolvimento em agressões contra um homem em situação de rua, em Belém. O caso ocorreu na última segunda-feira (13) e ganhou repercussão após vídeos circularem nas redes sociais.
Nas imagens, um dos suspeitos se aproxima da vítima e aplica descargas elétricas pelas costas, enquanto o outro registra a ação. Após o ataque, o homem reage, e o agressor foge. Os envolvidos ainda aparecem rindo da situação, o que intensificou a revolta diante do caso.
De acordo com as investigações, Altemar Sarmento Filho é apontado como responsável pelas agressões, enquanto Antônio Coelho teria feito as gravações. Os dois já prestaram depoimento à polícia, e o caso segue sob apuração.
A Polícia Civil informou que um inquérito foi instaurado após o registro da ocorrência na Seccional de São Brás. O equipamento utilizado nos ataques foi apreendido e passará por perícia. O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, que busca apurar possíveis violações de direitos humanos.
Segundo informações das autoridades, a vítima é um homem que enfrenta problemas de saúde mental e vive em situação de rua há vários anos, o que pode agravar a responsabilização dos envolvidos.
A repercussão levou a uma série de manifestações. O prefeito de Belém, Igor Normando, classificou o episódio como inaceitável e informou que a vítima foi localizada e encaminhada a um centro de acolhimento do município, onde recebe atendimento.
Em nota, o Centro Universitário do Pará informou que afastou imediatamente os estudantes das atividades acadêmicas e abriu procedimento interno para apurar o caso.
Entidades ligadas ao curso de Direito também se posicionaram, repudiando as agressões e destacando que a conduta não representa os valores da formação jurídica. As manifestações ressaltam que não há justificativa para atos de violência, especialmente contra pessoas em situação de vulnerabilidade.
O Ministério Público do Estado do Pará acompanha o caso e avalia possíveis enquadramentos criminais, como lesão corporal, com agravantes relacionados à condição da vítima e à repetição das agressões.
O episódio levanta um alerta sobre violência, responsabilidade social e o papel das instituições na formação ética de seus estudantes, além de reacender o debate sobre a proteção de pessoas em situação de rua.
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